Secretário de Saúde de Simão Dias participa de sessão especial na Alese

Por iniciativa do deputado estadual Luciano Pimentel, autor das quatro primeiras leis estaduais com foco na garantia dos direitos das pessoas com autismo, a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) realizou, nesta sexta-feira (10), uma sessão especial alusiva ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril.

Em seu discurso, Luciano Pimentel destacou que o diálogo sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é fundamental para o avanço das políticas públicas, uma vez que a informação exerce um papel importante na ampliação do conhecimento da sociedade sobre o autismo, no combate ao preconceito e, principalmente, no fortalecimento do debate sobre questões que impactam diretamente a vida das pessoas com TEA e de suas famílias.

“É por essa razão que, desde 2019, temos buscado fazer do nosso mandato um instrumento ativo e permanente na defesa dos direitos das pessoas com TEA. Ao longo desses anos, promovemos debates relevantes nesta Casa e avançamos na construção de políticas públicas”, ressaltou Pimentel.

Ainda em sua fala, o parlamentar relembrou a trajetória do mandato desde que abraçou a causa, citando as principais leis de sua autoria: a que garante o atendimento preferencial às pessoas com TEA; a que institui o Abril Azul; a que dispõe sobre o prazo de validade do laudo e da perícia médica que atestam o TEA; e a lei que cria mecanismos de combate à discriminação contra autistas.

O deputado mencionou ainda a Lei nº 9.178/2023, que institui a Política Estadual de Cannabis para fins terapêuticos, medicinais, veterinários e científicos, que já vem beneficiando pessoas com comportamento agressivo associado ao TEA, oferecendo mais qualidade de vida e dignidade.

“Essas leis mostram que estamos no rumo certo, mas sabemos que o desafio é grande. Ainda existe um longo caminho a ser percorrido na luta pela garantia de direitos, pelo acesso a serviços adequados, pelo suporte necessário e, principalmente, pela inclusão verdadeira, aquela que acontece no dia a dia, nos espaços sociais. Por isso, o nosso mandato está à disposição para apoiar ações que contribuam para assegurar aos autistas sergipanos uma vida digna, com respeito, oportunidades e plenas condições de desenvolvimento”, enfatizou Pimentel.

Saúde de Aracaju

A secretária municipal da Saúde de Aracaju, Débora Leite, apresentou as perspectivas de inclusão e acolhimento às pessoas com TEA na capital sergipana, detalhando o número de pacientes atendidos, além das ações e encaminhamentos da gestão municipal para 2025 e 2026.

“A Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju vem ampliando a atenção ao público neurodivergente. Hoje, estamos apresentando o volume de atendimentos, contratos com instituições e também realizamos um chamamento público, com o qual esperamos dobrar a capacidade de atendimento. Além disso, temos desenvolvido ações de recreação, que chamamos de ‘mapas do afeto’, em que levamos nossos pacientes a pontos turísticos. Estamos percebendo que isso tem sido muito importante para as mães e pais, que dispõem de pouco lazer, pois têm a responsabilidade de cuidar dos filhos”, explicou Débora Leite.

Outra iniciativa destacada pela secretária foi o recrutamento de jovens aprendizes. “A Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju priorizou a contratação de jovens aprendizes PCDs, com síndrome de Down ou com TEA. Essa é uma preocupação da gestão municipal, porque é importante pensar não apenas na criança, mas no autismo como um todo. Precisamos abrir as portas do mercado de trabalho, combater o preconceito e promover a inclusão. Inclusão não é apenas garantir o direito às terapias, mas também assegurar o direito à convivência social, como frequentar praias e parques sem olhares enviesados. É isso que a Secretaria tem buscado”, frisou Débora.

Exemplo de Simão Dias

O secretário municipal de Saúde de Simão Dias, Pequeno Soares, trouxe o exemplo do município, ressaltando as atividades que estão sendo realizadas pela gestão. Entre elas, destacam-se o cadastramento de 13 novos profissionais multidisciplinares, que atendem mais de mil crianças por mês, a inauguração da sala multissensorial e o início das obras do Centro de Referência ao Neurodivergente.

Segundo o secretário, sensibilizar a sociedade em prol das políticas públicas voltadas ao autismo tem sido uma das principais missões da gestão de Simão Dias. “Todas as nossas atividades, nesses últimos um ano e três meses à frente da Secretaria de Saúde, têm como objetivo ampliar as políticas públicas, desde a construção da Casa do Autismo, que será nosso centro de referência para neurodivergentes, passando pela contratação e capacitação de profissionais, aquisição de recursos e, mais recentemente, a implantação da sala multissensorial. Essas são algumas das ações para fortalecer a política do autismo em nossa cidade”, relatou Pequeno.

“Essa é uma política contínua, que deve ser ampliada cada vez mais. É necessário conscientizar mães e pais atípicos e envolver outras áreas, como educação e assistência social, para que possamos avançar de forma integrada, alinhados às diretrizes das autoridades públicas”, finalizou o secretário.

Mercado de Trabalho

A advogada Aline Andrade, presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Autismo da OAB-SE, destacou que mais de 80% dos autistas adultos, apesar de terem capacidade laborativa, estão fora do mercado de trabalho. “É uma força produtiva de brasileiros e brasileiras que precisa ser ouvida. Eles querem ser úteis e gestores do próprio sustento”, pontuou.

Para a advogada, esse cenário evidencia a necessidade de políticas públicas que considerem o desenvolvimento dos autistas ao longo da vida. “É fundamental compreender que as crianças autistas se tornarão adultos. Precisamos de propostas que incentivem a contratação de autistas, com adaptações nos ambientes de trabalho, capacitação de equipes para acolher pessoas neurodivergentes e qualificação dos próprios autistas. Também é importante pensar em modalidades como trabalho remoto e em incentivos fiscais”, enfatizou Aline Andrade.

Vivência no TEA

A sessão foi encerrada com o relato de Gabriella Rodrigues, que compartilhou sua trajetória como autista, mãe atípica e ativista na luta pelos direitos das pessoas com TEA em Sergipe. Mãe da pequena Liz, ela falou sobre os sinais identificados na filha e nela própria, oferecendo um testemunho relevante sobre os desafios do transtorno.

“Minha fala hoje é no sentido de mostrar que a evolução é possível. Com apoio da sociedade, do governo e de políticas públicas eficientes, conseguimos promover o desenvolvimento das crianças e evidenciar suas capacidades, apesar das dificuldades”, afirmou Gabriella.

Idealizadora da Caminhada de Conscientização do Autismo, ela disse que o evento acontece há quatro anos e tem se consolidado como um importante momento de mobilização. “Idealizei essa caminhada com o objetivo de dar visibilidade à causa, mostrar à sociedade que somos muitos e que precisamos de apoio. A cada ano, o evento cresce, reunindo mais pessoas. Também é um momento de lazer para as famílias atípicas, com brincadeiras e atrações musicais, promovendo a confraternização. Neste ano, será no dia 12, domingo, às 15h30, nos Arcos da Orla, com concentração no local”, concluiu.

Por Assessoria

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