A inadimplência apresentou leve redução em Sergipe no início de 2026, mas o cenário ainda exige atenção. De acordo com levantamento da Serasa referente a fevereiro, 43,88% da população adulta sergipana está inadimplente, índice inferior aos 44,04% registrados em dezembro de 2025, o que representa uma queda de 0,16 ponto percentual no período.
Apesar da redução, o estado ainda possui mais de quatro em cada dez adultos com contas em atraso. O percentual permanece abaixo da média nacional, atualmente em 49,87%, mas evidencia que o desafio do endividamento continua relevante.
No cenário nacional, o Brasil soma 81,7 milhões de inadimplentes, alta de 0,51% em relação a janeiro. O total de dívidas chegou a 332,1 milhões, crescimento de 1,52%, enquanto o valor médio devido por pessoa atingiu R$ 6.598,13, avanço de 2,24%. O estoque total das dívidas no país alcança R$ 539 bilhões, aumento de 2,76% no mês, reforçando o ambiente de crédito pressionado.
Queda pontual não elimina o desafio estrutural
Para a presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira em Sergipe (ABEFIN-SE), Emanuela Mota, o percentual do estado reforça a necessidade de ampliar a orientação financeira e estimular escolhas mais conscientes no uso do crédito.
“No período da pandemia, principalmente entre 2020 e 2021, houve forte transformação digital no mercado financeiro, com avanço na oferta de crédito por fintechs e bancos digitais. Com a SELIC em 2,75% ao ano naquele momento, houve grande expansão da carteira de crédito. Hoje, com a taxa em 15% ao ano, muitas famílias encontram dificuldade para honrar renegociações, o que mantém elevados os níveis de inadimplência”, explica.
Mesmo com a leve queda recente, o cenário ainda reflete os efeitos desse ciclo de expansão acelerada do crédito seguido por juros elevados.
Crédito caro e falta de planejamento
Em Sergipe, a inadimplência está fortemente relacionada ao uso recorrente de linhas de crédito com juros elevados, como cartão de crédito rotativo, parcelamentos prolongados e empréstimos contratados sem avaliação prévia do impacto no orçamento.
Segundo Reinaldo Domingos, presidente nacional da ABEFIN, a reversão passa por mudança de postura. “O endividamento excessivo não acontece de forma repentina. Ele é construído ao longo do tempo por decisões tomadas sem planejamento. Quando a pessoa organiza suas finanças e alinha o uso do dinheiro aos seus objetivos, cria condições reais para sair das dívidas.”
Caminhos para sair dessa situação
O processo de reorganização financeira começa com o levantamento detalhado de todas as dívidas, identificando valores, prazos e taxas de juros, priorizando aquelas com maiores encargos.
A revisão dos gastos mensais é essencial para identificar excessos e criar espaço para renegociação. Acordos com credores devem estar alinhados à capacidade real de pagamento para evitar novos atrasos. Além disso, a formação gradual de uma reserva financeira reduz a dependência de crédito emergencial e fortalece a estabilidade no médio e longo prazo.
Mesmo com a leve redução registrada em fevereiro, o índice de 43,88% de inadimplência mostra que Sergipe ainda enfrenta um desafio relevante, que exige educação financeira, planejamento e mudança consistente de comportamento para transformar a melhora pontual em tendência sustentável de queda.





