Pesquisa do IBGE traz dados sobre saúde sexual dos adolescentes em Sergipe

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traz um panorama detalhado sobre a saúde e os comportamentos de estudantes de 13 a 17 anos no Brasil. Em Sergipe, os dados relacionados à vida sexual dos escolares colocam o estado entre os menores percentuais do país, ao mesmo tempo em que evidenciam desafios importantes no acesso à informação, aos métodos contraceptivos e à prevenção da gravidez e das infecções sexualmente transmissíveis.

Em Sergipe, 28% dos escolares de 13 a 17 anos declararam já ter tido relação sexual alguma vez, o quarto menor índice do Brasil e o terceiro menor do Nordeste. O percentual apresenta diferença por sexo: 33,3% entre os meninos e 23,1% entre as meninas. Ao observar a dependência administrativa da escola, o índice é maior na rede pública (30,5%) do que na privada (17,8%).

Entre os adolescentes sergipanos que já tiveram relação sexual, 36,3% informaram que a primeira relação ocorreu aos 13 anos de idade ou menos. O dado varia significativamente por sexo: 44,6% entre os meninos e 24,9% entre as meninas. Nas escolas públicas, o percentual é de 36,8%, enquanto nas privadas chega a 32,2%.

A PeNSE 2024 mostra ainda que 60,7% dos escolares sergipanos que já tiveram relação sexual utilizaram camisinha na primeira relação, índice ligeiramente inferior à média nacional (61,7%). A diferença por sexo também é expressiva: 54,6% entre os meninos, contra 69,1% entre as meninas.

Na última relação sexual, o uso de preservativo foi relatado por 56,4% dos adolescentes em Sergipe. Quando perguntados sobre como conseguiram a camisinha na última relação, os estudantes sergipanos apontaram principalmente a compra em estabelecimentos comerciais (33%), seguida do serviço de saúde (26,6%) e do parceiro sexual (20%). A escola aparece com apenas 2% e com os pais ou responsáveis, 5,1%.

Gravidez

A PeNSE 2024 também investigou a ocorrência de gravidez entre escolares do sexo feminino que já tiveram relação sexual. Em Sergipe, 8,8% engravidaram alguma vez na vida. Em Aracaju, o percentual sobe para 10,4%, o terceiro maior entre as capitais brasileiras. Diferentemente da maioria dos estados, onde os índices são menores nas capitais, Sergipe está entre os poucos — ao lado de Piauí, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso — em que essa lógica se inverte.

Outros métodos contraceptivos

Entre os escolares de Sergipe que já tiveram relação sexual, 32,7% utilizaram outro método para evitar gravidez na última relação, além do preservativo. Dentre esses, predominam a pílula anticoncepcional (45,8%), a pílula do dia seguinte (15,4%) e métodos injetáveis (12,8%).

O uso da pílula do dia seguinte alguma vez na vida foi relatado por 33,9% dos adolescentes sergipanos, o segundo maior índice do Nordeste, atrás apenas do Maranhão. O percentual da busca pelo medicamento é mais elevado entre as meninas (45,7%) do que entre os meninos (25,1%) – neste caso para encaminhar à parceira. A principal forma de obtenção do medicamento foi a compra em farmácias (61,7%), seguida do serviço de saúde (13,6%) e do parceiro sexual (9,5%).

Orientação nas escolas

No campo da educação em saúde, 66,5% dos escolares de Sergipe afirmaram ter recebido orientação na escola sobre prevenção da gravidez, percentual que em Aracaju foi de 63,9%. Sobre HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, o índice estadual sobe para 70,3% em Sergipe, sendo maior nas escolas privadas (74,2%) do que nas públicas (69,4%).

Já a orientação sobre aquisição gratuita de camisinha alcançou 54% dos estudantes em Sergipe, o terceiro maior índice do Nordeste. Em Aracaju, embora o percentual seja menor (50,6%), a capital registra o segundo maior índice entre as capitais nordestinas.

Pesquisa

Na quinta edição, a PeNSE se propõe a compor um panorama da saúde de adolescentes que estão na escola. Por meio de questionários autoaplicáveis, estudantes e diretores respondem individualmente à pesquisa num aparelho do instituto.

“O objetivo da PeNSE é analisar fatores de risco e de proteção para as doenças crônicas degenerativas, que são as doenças que, infelizmente, mais matam no mundo precocemente. Trata-se de hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares, pulmonares, câncer”, afirmou Marco Andreazzi, gerente nacional da pesquisa.

Os hábitos adotados na adolescência são decisivos para o desenvolvimento potencial dessas e outras doenças. Além de consumo de drogas, a pesquisa monitora também os hábitos de alimentação, exercício físico, segurança, saúde mental, sexual, reprodutiva, bucal e uso de serviços de saúde. Em parceria com o Ministério da Saúde, o levantamento foi realizado em 2009, 2012, 2015 e 2019.

Foto: Arquivo/MDS 

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