A Thymos Energia, uma das maiores consultorias especializadas em energia do país, estima os reajustes médios para as tarifas de energia elétrica no Brasil. O Nordeste deve registrar a maior alta percentual, com avanço médio de 9,77%, impulsionado principalmente pela elevação dos preços da energia adquirida pelas distribuidoras e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). No Sudeste, a variação atingirá 5,45%. No Norte, a projeção aponta crescimento de 4,52% na conta de luz, enquanto o Sul indica avanço de 3,61%. O Centro-Oeste, por sua vez, apresenta resultado médio praticamente estável, com variação de 0,08%, em relação ao ano passado.
Considerando todas as regiões, a média nacional de reajuste tarifário é estimada em 7,64%. A Thymos Energia destaca que os números refletem médias em cada região e estão sujeitos a variações conforme a distribuidora e a área de concessão. Embora as componentes tarifárias sejam comuns a todas as distribuidoras, os impactos não são homogêneos entre as regiões.
“No caso da CDE, a intensidade da pressão varia conforme a composição de mercado de cada área de concessão e a trajetória de equalização regional entre os blocos Norte/Nordeste e Sul/Sudeste/Centro-Oeste”, explica Ana Paula Ferme, Head de Utilities e Regulação Econômica na Thymos Energia. Segundo ela, as diferenças tarifárias de energia decorrem do portfólio contratual específico de cada distribuidora, o que influencia o custo médio de compra e o grau de exposição à necessidade de aquisição do insumo no mercado de curto prazo da concessionária.
De acordo com a análise, o aumento do orçamento projetado para a CDE em 2026 está associado principalmente à ampliação do peso dos subsídios setoriais. A proposta em consulta pública pela Aneel estima despesas de R$ 52,7 bilhões, alta de 7% em relação a 2025, puxada sobretudo pelo crescimento dos descontos tarifários para fontes incentivadas, pela expansão da tarifa social e pelo avanço da geração distribuída, cujos custos quase dobram no período. Apesar de reduções em itens historicamente relevantes da conta, a elevação desses subsídios mantém pressão significativa sobre as tarifas de energia elétrica no país.
Já o encarecimento da energia reflete a dinâmica dos contratos firmados em leilões e cotas, além de uma maior exposição ao mercado de curto prazo na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), sensível à alta do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) esperada para 2026. A consultoria ressalta ainda que o teto do orçamento da CDE, previsto na Lei nº 15.269/2025 (ex-MP 1.304), passa a valer apenas a partir de 2027.





