“Quem deixou nascer e crescer a ideia de uma candidatura de vice de Priscila foi Fábio Mitidieri”, diz Belivaldo Chagas

Nesta quarta-feira (18), o ex-governador de Sergipe Belivaldo Chagas apontou culpa do atual governador do Estado, Fábio Mitidieri, PSD, pela cobiça de sua filha Priscila Felizola como suposta candidata a vice-governadora numa futura chapa de Valmir de Francisquinho. A fala de Belivaldo foi feita em conversa exclusiva com a Coluna Aparte.

Para Belivaldo Chagas, Fábio reúne todas as atitudes culposas frente a esta probabilidade em torno de Priscila. “A culpa de tudo é dele. Quem deixou nascer e crescer a ideia de uma candidatura de vice-governadora de Priscila foi Fábio Mitidieri”, aponta Belivaldo, naquele modo de falar o direto das coisas.

Segundo Belivaldo Chagas, em outubro do ano passado, menos de dois meses antes de Fábio Mitidieri oficializar sua chapa majoritária pela reeleição, com Jeferson Andrade como pré-candidato a vice-governador, o governador teria estimulado Priscila a se lançar na disputa para a vaga que ele daria a Jeferson.

“No mês de outubro do ano passado, quando eu estava operado e acamado num quarto de hotel em São Paulo, Fábio foi me visitar. Estávamos eu, ele e Priscila. Ele falou de política quase uma hora e me disse, com todas as letras, que não iria lançar a chapa majoritária dele tão cedo, que não estava com pressa, que não aceitava pressão nem de A, nem de B e nem de C. Mas pouco mais de mês e ele lançou a chapa”, diz Belivaldo.

A cereja do bolo estaria aqui, segundo a fala de Belivaldo. “Priscila ali naquela conversa de São Paulo lhe perguntou: “Governador, e nesta história de vice aí, é pra eu parar de vez? Como é que faço? Como o senhor me orienta?” Sabe qual foi a resposta de Fábio? “Continue jogando seu jogo. Estou gostando, e lá na frente a gente resolve”. Ele fomentou e agora está se fazendo de vítima”, diz Belivaldo.

Segundo o ex-governador, há nove dias Fábio Mitidieri, acompanhado do pai e secretário de Estado da Casa Civil, Luiz Mitidieri, esteve em sua casa, em Simão Dias, e esta conversa em torno de Priscila e a Vice-Governadoria voltou abertamente à pauta. 

“O governador Fábio Mitidieri esteve na minha casa na segunda-feira, dia 9 – ele pediu para falar comigo, foi lá com o pai e passamos mais de uma hora conversando. O resumo da ópera, do que eu passei pra ele: “A culpa de tudo o que está acontecendo é sua”. E ele reconheceu”, reitera Belivaldo Chagas.

“E por que eu disse isso a Fábio? Por que é que o nome de Priscila Felizola está na pauta de uma possível candidatura a vice-governadora da oposição? Exatamente porque ele deixou o nome de Priscila ficar em pauta”, diz Belivaldo.

Mas como assim? “Simples: se Fábio tinha o compromisso com Ulices Andrade, de tornar o filho dele, deputado Jeferson Andrade, pré-candidato a vice-governador em 2026, quando começou a se discutir o assunto, o que ele deveria ter feito? Deveria ter chamado Priscila e lhe dito: “Você é um grande nome” – fazia lá o enfeite e o misancene que quisesse fazer -, “mas eu tenho um compromisso com Ulices e o vice vai ser quem ele indicar. E vamos fazer o seguinte: quando alguém tocar nesse assunto, você corte logo””, revela Belivaldo.

Daí a queixa do ex-governador contra a orientação dado à moça lá na conversa de São Paulo. Para Belivaldo, se a orientação de Fábio fosse outra, hoje não haveria problema alhum. “Priscila teria cortado e o nome dela não estaria ventilado. Resultado: hoje ela não serve como vice pra ele, porque ele tem o vice, mas a oposição está falando o nome dela. O que estou querendo dizer com isso? Quem acabou criando um título de vítima para Priscila? O próprio Fábio. Foi isso que eu disse a ele, ele acatou e me pediu desculpa. Eu lembrei disso a ele na conversa no último dia 9 lá em casa. Cobrei isso na cara dele e do pai. “Que negócio é esse?” A resposta dele: “Eu errei. Fiquei com vergonha de dizer que ela não seria a candidata a vice, porque eu tinha um compromisso com Ulices””, relembra Belivaldo.

Apesar de tudo isso, o ex-governador garante que não há nenhuma conversa oficial nem dele e nem de Priscila Felizola sobre pré-candidatura de vice-governadora dela com ninguém. “Até o presente momento, ninguém conversou comigo, nem eu conversei com ninguém, sobre o destino político de Priscila Felizola nestas eleições. Sobre para onde Priscila vai ou deixa de ir. O resto é mimimi – até deu trova”, diz Belivaldo.

Aliás, Belivaldo Chagas admite que vai tentar ficar o mais distante possível de uma eventual tutela sobre a filha e suas definições políticas nesta hora. “Nessa questão do papel e do futuro de Priscila Felizola, defendo o que ela defender. Não vou influenciá-la em nada. Ela deve continuar no Sebrae, onde faz um bom trabalho, e a questão política tem-se até o final do mês para resolver”, pontua.

“Não discuto preferência por um candidato a governador. Eu vou discutir o que Priscila quiser fazer, mas com ela sendo a dona da pauta. Quem quiser discutir a sucessão de Sergipe num aspecto que possa envolvê-la, vá discutir com ela. Não precisa conversar comigo. O que Priscila decidir, eu acato. Não sou eu que vou dirigi-la, em hipótese alguma. O que ele disser que quer fazer, eu a acompanho”, diz o pai.

“Priscila fez o nome pessoal inteiramente à custa dela, pelo trabalho dela. Não precisou de um empurrão do pai. Ela não foi pro Senac e nem pro Sebrae pelas minhas mãos. Ela fez o trabalho para ter o apoio que teve dos entes que tinham direito a voto. Na gestão do Sebrae, ela mostrou que tem competência. Nunca precisei ir pra dentro daquela instituição para dizer como ela teria que fazer. Aliás, entendo muito pouco de Sebrae. E se ela decidir que quer seguir um caminho político, será uma decisão dela”, diz ele.

Durante a conversa com a Coluna Aparte, Belivaldo Chagas disse ter “estranhado” determinadas posturas de Fábio Mitidieri diante do desempenho de Priscila Felizola e da conversaria política dos últimos dias. “Ah, porque ela deu uma entrevista e se referiu a Valmir de Francisquinho como nosso pré-candidato! Hoje é normal se usar o plural para se referir ao nossos amigos, nosso aquilo e aquilo outro – e nela isso saiu como um ato falho e normal de acontecer”, diz.

E pergunta: “Por acaso, existe na imprensa algum anúncio oficial de Priscila dizendo que está saindo do PSD, que está se filiando a algum partido? Que foi convidada oficialmente para alguma coisa política? Então, pra que esta agonia toda do governador Fábio Mitidieri, dando entrevista e desejando boa sorte a ela? Ora! Aliás, muito obrigado pela boa sorte que ele está desejando à minha filha. Mas repito: não sei porque essa agonia toda dele ao se referir, inclusive, ao fato de que a esposa dele não teria sido convidada por Priscila para um evento do Sebrae. Achei isso muito miúdo. Aliás, Priscila me disse que foi mandado convite para todas as secretárias de Estado de Sergipe. Mas o governador reclamar porque a mulher dele não foi convidada para um evento do Sebrae, isso não bate bem”, responde.

“Fábio fez compromisso com Edvaldo para tirá-lo do páreo em 2022, dizendo que apoiaria o candidato de Edvaldo em 2024 a prefeito de Aracaju. Perdeu. Para tirar Ulices Andrade também lá em 2022, acertou que ele indicaria o vice na reeleição. Não tenho problema em relação a isso. Fui chamado ao Gabinete dele em fevereiro de 2025 para comunicá-lo que Priscila não seria candidata a deputada. Aleguei-lhe que não teríamos condições de bancar uma campanha de deputada do jeito que as coisas estão. Ele não fez o acordo com Jeferson? Cumpra. A culpa de tudo é dele. Quem deixou nascer e crescer a ideia de uma candidatura de vice de Priscila foi Fábio Mitidieri. Agora a única coisa que eu disse a ele foi o seguinte: “chame Priscila para conversar e se resolvam vocês dois””, disse.

Fonte: https://jlpolitica.com.br/

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