“A experiência internacional molda quem a vive para lidar não apenas com o seu contexto externo, mas também com o que se passa dentro de si, sendo este último, por vezes, o mais desafiador. Saber lidar consigo mesmo, com as suas opiniões, com as opiniões dos outros, e saber exatamente o que contribui para a sua vida e o que deve ser descartado são competências de ouro para seguir com determinação e ousadia”. Este é o trecho de um artigo escrito pela estudante sergipana Ana Vitória Gonzaga de Carvalho, do nono período do curso de Direito da Universidade Tiradentes (Unit), para a revista acadêmica The MJPress, editada pela Myongji University (MJU), uma das principais universidades da Coreia do Sul.
No texto intitulado Os benefícios da Internacionalização para o currículo do estudante de graduação, publicado na edição de setembro da revista, Ana Carvalho dividiu um pouco da experiência que tinha acabado de vivenciar: um período de cinco meses de mobilidade acadêmica no campus principal da instituição, em Seul (capital do país). Entre fevereiro e julho de 2025, ela cursou disciplinas equivalentes ao do curso de origem e participou de diversas atividades extracurriculares na instituição sul-coreana, o que lhe permitiu criar relações de amizade persistentes até hoje.
Ela conta que os responsáveis pela revista divulgaram nos campi da instituição um anúncio para que alunos estrangeiros pudessem escrever textos para publicação. Os autores dos textos aprovados também ganharam uma premiação em dinheiro, de 50 mil wons (moeda local). “Para mim, foi uma oportunidade ímpar, dado que apenas três artigos estrangeiros foram publicados na edição de setembro, e o meu foi um deles. Saber que minha escrita foi avaliada e aprovada em uma revista na Coreia do Sul e que foi disponibilizada para diversas pessoas (das quais muitas eu não cheguei a sequer conhecer), que de alguma forma meu trabalho chegou a elas, não tem preço”, relembra.
A partir da própria vivência, a estudante aborda como o contato com o exterior pode ser extremamente rico e abrir muitas portas para o estudante, destacando que a experiência internacional é o diferencial mais estratégico para o sucesso no mercado de trabalho atual, indo muito além do simples aprendizado de um novo idioma, e que as competências desenvolvidas não são apenas teóricas, mas transformações práticas que preparam o profissional para qualquer desafio global.
A ida de Ana Vitória à Coreia do Sul foi possível através do Programa de Mobilidade Acadêmica Internacional (ProMAI), no qual estudantes da Unit podem cursar até seis meses ou um ano em regime de mobilidade acadêmica em universidades parceiras no exterior, cursando disciplinas equivalentes e complementares à grade curricular do seu curso de origem. Uma das parceiras é a Myongji University, fundada em 1948 como Moo-gung Institution e elevada à categoria de Universidade em 1963. De natureza privada e orientação cristã, ela é composta hoje por 10 faculdades, 42 departamentos e oito programas de pós-graduação, agrupados nos campi de Seul e de Yongin.
“Eu queria muito estar em uma universidade na qual eu poderia falar inglês e das opções que a GRI [Gerência de Relações Internacionais da Unit] tinha, a MJU me chamou atenção pelo legado cristão, qualidade de ensino e engajamento acadêmico que eles têm”, diz Ana Vitória, que além de ser aprovada no processo seletivo interno e receber uma bolsa de incentivo da Unit, foi indicada pela própria Myongji para ser contemplada com a ‘Global Korea Scholarship (GKS)’, bolsa integral concedida pelo governo da Coreia do Sul para estudantes estrangeiros de graduação e pós-graduação que apresentem bom histórico acadêmico e intensa atividade extracurricular.
A escolha pelo país asiático também levou em conta outros fatores, como o interesse pela cultura local, marcada principalmente pelos doramas e pelas bandas de k-pop, e pelo destaque do país na área de Direito Cibernético, ramo jurídico no qual Ana já faz pesquisas e pretende se especializar no futuro.
Adaptação e acolhimento
A estudante relata que superou e contornou alguns desafios durante o seu período de intercâmbio, como o idioma, o choque cultural e a adaptação a uma realidade diferente da brasileira. “Eu passei por muita coisa na Coreia e descobri em mim uma capacidade de resolução de problemas e adaptabilidade que eu não sabia que tinha daquela forma. Estar num país estrangeiro para estudar nos abre os olhos. Tive diversos aprendizados nesse tempo, mas com certeza o maior deles foi que nós sempre podemos ir além do que pensamos quando Deus está do nosso lado”, diz Ana Vitória, que apesar disso, lembra que foi muito bem acolhida e assistida na Myongji e em Seul. “Os coreanos amavam o fato de eu ser do Brasil, me diziam que eu era uma pessoa feliz e que meu cabelo era lindo. Fiz muitos amigos lá e inclusive participei de uma igreja como ministra de louvor”, conta.
No próprio intercâmbio, Ana Vitória participou de uma série de atividades extracurriculares, incluindo um período de estágio no Escritório de Relações Internacionais da própria MJU. “Me contrataram como estagiária deles e foi uma experiência incrível. Tive uma boa imersão no inglês, e interagi com pessoas do mundo todo. Até hoje eu tenho contato com eles”, lembra a sergipana, ao contar que, em época de inverno rigoroso, ela viu neve pela primeira vez em Seul, onde as temperaturas podem chegar a até -10°C (10 graus negativos).
Após seu retorno ao Brasil, a aluna da Unit se dedica totalmente a dois grandes momentos de seu futuro: o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e os preparativos para seu casamento, previsto para ocorrer em breve. A vivência destes momentos é agregada pela experiência que adquiriu em seu período de intercâmbio na Coreia, o que só aumenta os sentimentos de gratidão e de orgulho.
“A Unit abriu as portas para que eu pudesse chegar na Coreia do Sul. Para mim foi um orgulho poder representar essa instituição internacionalmente e acredito ter feito um bom trabalho. Além disso, o pessoal da GRI da Unit cuidou muito bem de mim e me deu toda assistência possível. Sou muito grata a eles”, concluiu Ana Vitória, confessando-se “extremamente apaixonada pela Coreia” e desejando voltar no futuro.
Autor: Gabriel Damásio
Fonte: Asscom Unit
A estudante de Direito Ana Vitória Gonzaga de Carvalho, da Unit, fez cinco meses de mobilidade acadêmica na Myongji University, em Seul (Acervo pessoal)





