Quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade foram identificadas no 1º trimestre de 2026 pela Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil e líder em soluções antifraude. O número é um dos destaques da primeira edição do novo Mapa da Fraude, levantamento da companhia que reúne dados das tecnologias antifraude para mostrar como o fraudador atua em diferentes camadas da jornada digital. Na mesma edição, a datatech identificou mais de 19 milhões de mensagens associadas a golpes e mais de 368 mil tentativas de fraude no e-commerce brasileiro durante o período.
O novo levantamento organiza os dados em frentes distintas, como cibersegurança, cadastro e identidade (ou onboarding) e e-commerce, para dar visibilidade aos diferentes momentos em que a fraude pode acontecer. “O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, usar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade, manipular documentos, explorar contas laranja ou partir diretamente para a transação, entre outras frentes. Com o Mapa da Fraude, passamos a organizar essa leitura integrada, mostrando como a tentativa de golpe se movimenta e em que momento busca gerar prejuízo financeiro”, afirma o Vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude, Eric Dhaese.
A iniciativa reflete a evolução do ecossistema antifraude da datatech, que reúne expertise em identidade, dispositivos, cibersegurança, onboarding, vendas online, transferências e comportamento do consumidor.
Mapa da Fraude aponta que prejuízo estimado por fraudes de identidade poderia chegar a quase R$2 bi no 1º trimestre
No cadastro e na validação de identidade para acesso a serviços digitais, a Serasa Experian identificou 1.495.696 tentativas de fraude no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume equivale a cerca de uma tentativa a cada 5 segundos e poderia gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso não fosse impedido.
O setor financeiro segue concentrando a maior parte das ocorrências, com 6 a cada 10 tentativas registradas em bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de serviços financeiros e de crédito. O avanço indica que ambientes digitais com alto volume de logins, validação de identidade e movimentação financeira entram com mais força no radar dos fraudadores.
Entre os segmentos analisados, “Meios de Pagamento” liderou em volume, com 644.586 tentativas, seguido por “Telefonia” (313.200) e “Bancos e Cartões” (259.160). Confira abaixo o detalhamento por setor:

No recorte regional, o Sudeste respondeu por 38,5% das tentativas de fraude. Apenas São Paulo concentrou mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% do total nacional. Abaixo está o mapa das fraudes em identidade no 1º trimestre de 2026:

Em relação às gerações, 70,7% das tentativas de fraude de identidade se concentraram majoritariamente na população economicamente ativa, entre 17 e 60 anos. Confira o gráfico com a distribuição de ocorrências por geração:

Grupos de conteúdo fraudulento crescem 139% no 1º tri e indicam golpes mais organizados, segundo novo Mapa
Na camada de cibersegurança, a Serasa Experian identificou 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos no primeiro trimestre de 2026, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também foram mapeadas 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes, média de 152 mensagens por minuto, e quase 2 mil grupos de circulação e troca de conteúdo fraudulento, avanço de 139% na comparação anual.
Para a datatech, o dado mostra que a fraude digital não se sustenta apenas em abordagens isoladas contra consumidores. O crescimento dos grupos indica uma dinâmica mais organizada, apoiada em comunidades de circulação, troca e replicação de conteúdos fraudulentos. “A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas”, explica Dhaese.
Mapa aponta quase 1 a cada 100 transações no e-commerce como tentativa de fraude; Celulares registraram maior risco
Na camada transacional, quase 1 a cada 100 transações no e-commerce foi considerada tentativa de fraude no 1º trimestre de 2026. Ao todo, foram registradas mais de 368 mil ocorrências desse tipo, o equivalente a uma tentativa a cada 21 segundos, que somaram R$ 337,9 milhões em valor preservado por meio das soluções antifraude.
O comportamento das tentativas mostra que o fraudador tende a mirar compras de maior valor. No período, o ticket médio das tentativas de fraude foi de R$ 917,52, valor 62% acima do pedido legítimo. Isso indica que, no e-commerce, a fraude não busca apenas volume, mas também maior retorno financeiro por transação. “Mesmo quando a taxa parece pequena, o impacto financeiro é relevante pela escala do comércio digital. É na transação que o fraudador tenta transformar a tentativa em dinheiro. Por isso, olhar comportamento de compra, dispositivo, meio de pagamento, histórico e padrão do consumidor é essencial para diferenciar uma compra legítima de uma fraude”, declara o executivo da datatech.
A categoria “Beleza” liderou em quantidade de tentativas de fraude, com 33,7 mil ocorrências, seguida por “Calçados” (29,4 mil), e “Saúde” (18,9 mil). Já entre as categorias com maior risco, “Celulares” aparece no topo, com risco de 3,11%, ou seja, uma tentativa de fraude a cada 32 pedidos legítimos. Na sequência estão “Acessórios eletrônicos”, com risco de 2,62%, e “Eletrônicos”, com 2,11%.
Segundo a Serasa Experian, esse contraste mostra que as categorias mais fraudadas acompanham a escala de pedidos legítimos, enquanto as categorias com maior risco tendem a acompanhar o valor e a atratividade dos produtos. Confira abaixo a tabela detalhada com as três categorias mais fraudadas e as três com maior risco:

Uso indevido de IA, fraude como serviço e identidades sintéticas estão entre tendências
O Mapa da Fraude também aponta movimentos que devem exigir atenção nos próximos meses. Entre eles estão o avanço do Fraud as a Service, modelo em que golpes, kits, scripts e serviços especializados são comercializados para facilitar a atuação criminosa; como o uso indevido de inteligência artificial generativa para tornar abordagens mais personalizadas, convincentes e escaláveis; e a pressão crescente de identidades sintéticas, com combinações realistas de dados, imagens e narrativas para tentar atravessar camadas de autenticação.
Deepfakes e conteúdos gerados com apoio de IA que simulam autoridade, como o uso indevido de figuras públicas, representantes do governo e veículos de imprensa, também aparecem como pontos de atenção, especialmente em golpes baseados em engenharia social. O alerta está na forma como fraudadores podem usar a tecnologia para dar mais escala, realismo e personalização às tentativas.
“A inteligência artificial não aparece necessariamente como uma categoria estatística isolada, mas como uma tecnologia que, quando usada de forma indevida, pode ampliar escala, realismo e personalização dos golpes. Ela pode tornar páginas falsas mais críveis, mensagens mais naturais e perfis sintéticos mais difíceis de identificar. Por isso, estar um passo à frente do fraudador exige leitura contínua de dados, tecnologia e inteligência analítica em diferentes pontos da jornada”, avalia o Vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude, Eric Dhaese.
Sobre o Mapa da Fraude
O Mapa da Fraude da Serasa Experian é um levantamento proprietário que consolida informações observadas nas soluções antifraude da companhia para acompanhar o comportamento das tentativas de fraude ao longo da jornada digital. A metodologia considera transações e eventos em que a Serasa Experian, líder em soluções antifraude, participa diretamente dos processos de identificação, autenticação, validação ou decisão de risco, o que permite uma leitura mais precisa e consistente dos padrões observados. A análise contempla diferentes frentes de atuação, como cibersegurança, identidade e cadastro, vendas online e transferências, permitindo mapear desde a isca e a organização dos golpes até as tentativas de cadastro, autenticação e transação. A partir dessa base, os indicadores são organizados por recortes como segmento, região, geração, categoria de produto, datas sazonais e modalidades de fraude.
Como essas informações partem de diferentes soluções, bases tecnológicas e etapas da jornada, os resultados são apresentados separadamente, respeitando as particularidades de cada universo analisado. Essa estrutura preserva a consistência metodológica, fortalece a comparabilidade entre os recortes e dá mais robustez à leitura sobre como a fraude se movimenta no país.



